Li hoje, por curiosidade, um periódico semestral da Igreja luterana, no qual havia uma mensagem cujo título trazia como tema a seriedade de ser cristão. Ali também foi descrita uma situação, aparentemente vivenciada entre os soldados de Alexandre, o grande e o próprio Alexandre.
Conta-se que em certa ocasião, quando os soldados de Alexandre atacaram o inimigo, um deles teve medo e fugiu. O desertor foi preso e trazido à presença do grande conquistador ainda mais amedrontado. Alexandre, ao inquiri-lo, pergunta: “ Como te chamas?” O soldado, apreensivo, responde: - “ Alexandre”. Neste ínterim o conquistador perguntou-lhe novamente: -“ Como te chamas!?!” E nem esperou a resposta do frágil soldado, dizendo-lhe em seguida: - “ Ou mudas de nome ou tens de mudar de caráter”.
Foi em Antioquia que pela primeira vez, aqueles que assumiam a sua identidade de seguidores de Jesus foram chamados de cristãos. Não era um elogio, antes se pretendia uma identificação pejorativa e ridicularizante. No entanto, na essência do termo sua designação é exata. O Cristão é, em primeira e última análise, parecido com Jesus, em uma definição do que significa andar com Jesus.
Hoje muitos acham light, soft, chique, ser cristão evangélico. Temos os “gospels fashions”, para quem basta apenas se identificar com uma igreja legal, sofisticada, de linguagem moderna, que não confronte ou questione as opções equivocadas das pessoas em seu estilo de ser ou sua conduta. Nesta linha temos jogadores, artistas, atletas, pseudo-pastores e líderes que, infelizmente ditam moda com uma espécie de evangelho “ sem sal e sem luz.”
A justificativa é que Deus é amor, que não leva a sério as condutas desde que sejam as mesmas, atitudes que não atinjam o próximo com as conseqüências dos seus possíveis deslizes. Acontece que as condutas equivocadas de cada um de nós nunca nos prejudicam apenas a nós, e mais, que os desvios de caráter de gente que diz andar com Deus desmentem este pretenso andar.
O grande problema é que queremos ser cristãos nominais, religiosos, para dar uma satisfação social aos que estão à nossa volta. O pior é que não queremos a vocação para a qual Deus nos criou, a de sermos à imagem e semelhança dele, queremos antes um “ deus” à nossa imagem e semelhança, que não exija mudanças significativas em cada um de nós.
Fico impactado com o espanto de Alexandre diante do soldado homônimo, ao exigir a mudança de nome ou de caráter ao fugitivo guerreiro. Mas impacta-me expressivamente a possibilidade de ouvir a opinião de Jesus em relação àqueles que hoje usam o Seu nome, na pretensão de se identificar com ele, sem que tal intenção seja visível em suas condutas. Que Deus nos livre desta espécie superficial de crer.
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