O acontecimento desta semana foi mesmo a libertação dos mineiros que estavam há mais de dois meses sob a terra,na mina chilena. Um êxito especialíssimo.
Maravilha-nos saber que pessoas de todas as nacionalidades se esforçaram e torceram para que o trabalho fosse bem efetivado, inclusive os americanos através da NASA, os quais mesmo odiados por várias nações latino-americanas, não se negaram à participação no grupo de salvamento, antes contribuindo com seu conhecimento e sua tecnologia. Os "terríveis americanos capitalistas", irônico não?
Aprendemos muitas coisas neste episódio. Primeiramente aprendemos que ainda que as medidas de segurança sejam tomadas e que as coisas relacionadas aos trabalhos de risco, devidamente pensadas, existem circunstâncias que fogem ao domínio de ação do homem. Trabalho em mineradoras sempre se efetivarão em circunstâncias de risco, e neste caso todo cuidado é pouco. Sobre a mina em questão, incidentes menores já haviam prenunciado a possibilidade de um problema de maior dimensão. No entanto, a didática da questão nos remete à conclusão de que o imponderável pode se tornar fato, e quando isto ocorrer, precisamos de três atitudes. Reconhecer as circunstâncias tais quais elas mesmas são. Conhecer os limites de possibilidade que possam incentivar esperanças reais. Contar com aquilo que ninguém mais contaria.
A grande questão é, que tal imaginarmo-nos ali? Alguns de nós simplesmente desistiria e acharia que não haveria livramento de nenhuma espécie. Outros poderiam tentar mascarar a realidade, minimizando um problema de grandes dimensões numa postura utópica. Outros lutariam com todas as suas forças para encontrar uma saída.
O tempo passa. Um dia são surpreendidos com um pequeno sinal, um barulho se aproxima, um romper de rochas que chega até os mesmos, 15 dias depois do episódio da explosão. Literalmente se podia ver uma pequena luz no fim de um túnel esférico de centímetros em tamanho, pelo qual passariam a receber as provisões. Um pequeno fato que para muitos poderia sugerir um adiamento apenas, da tragédia anunciada. Para os mais atentos, um sinal de que se poderia vencer os limites e alcançar um livramento absoluto.
Dois meses se passaram e a salvação veio de cima, tal qual as primeiras provisões.
Eu e você não estamos presos ao fundo de uma mina sem saída no sentido literal, mas pior do que isso, quem sabe estejamos indefinidamente amarrados às amarguras existenciais, dramas pessoais, inseguranças na alma, atrelados à culpa ou falta de perdão, dentre outros fatores.
Recebemos de vez em quando os suprimentos por um vão de esperança, provenientes de alguém que nos conta o testemunho do seu livramento, nos fala algo do poder e da palavra de Deus, nos mostra que é possível sonhar e esperar que uma nova história se construa. Isto nos dá fôlego para esperar e clamar por ajuda.
Não mais do que de repente o livramento esperado se efetiva. Alguém desce para que possamos subir, e neste caso, o próprio Deus desceu, na Pessoa bendita do Seu Filho Jesus. Ele desceu e veio até as nossas difíceis demandas, pagou o preço pelos nossos pecados, a fim de que nós pudéssemos voltar à sua presença, respirando o puro oxigênio da Fé que remove montanhas.
Agora só nos resta entrar na capsula da salvação, cujo porta aberta espera que aceitemos o convite para subir e estarmos com ele. Jesus disse: "Eu sou a Porta." João 10.10.
Fernando Alberto Araujo
Nenhum comentário:
Postar um comentário