Os gemidos geracionais que se pautam nas angústias próprias de cada tempo, são inequivocamente percebidos por Deus. Foi assim com a geração de Hebreus escravizada por anos a fio no Egito antigo. No relato do Êxodo, no terceiro capítulo, Deus diz à Moisés que ao ouvir os clamores e gemidos do povo, resolveu" descer", o que significa dizer que havia chegado a hora da Sua intervenção.
Deus não diz isso ao homem portador de um coração revoltado ou muito ligado aos dramas do seu povo. Quando Deus encontra Moisés ele está envolto em seus afazeres pessoais, morando longe do contexto específico de seu povo, no deserto, cuidando dos animais do seu sogro. Foi ali naquele deserto que uma visão sobrenatural o envolveu, a de uma sarça que ardia e não se consumia, para a qual o fogo parecia não estabelecer dano algum.
No instante em que Moisés dialoga com Deus, seu coração ainda está preso ao aspecto fugidio de sua presença em Midiã, tendo em vista que para ali se deslocara depois de haver sido descoberto como homicida de um egípcio, o qual, por ter feito sofrer um dos seus irmãos hebreus, estabeleceu com sua atitude interventora, a morte e o sepultamento do mesmo, enterrando-o na areia. O egípcio em questão fora enterrado na areia, mas não na consciência do líder libertador que Deus procurava estimular agora, por esta razão Moisés reluta diante do chamado de Deus.
Porque esta ênfase na escolha de Deus por um homem como Moisés? Para mostrar-lhe que, em primeiro lugar, Deus não está despercebido do sofrimento de alguém, da injustiça estabelecida por outros sobre alguém, e, sobretudo que Ele, tendo efetivado as Suas promessas, delas não se esquece. Deus havia prometido a Abraão que o Seu povo se faria grande e teria seu próprio território.
Em segundo lugar, Deus levanta o improvável para estabelecer a Sua vontade. No caso, Deus busca no deserto e na fuga existencial um homem desistido, estimula-o, transforma-o, manifesta nele e através dele o Seu poder sobrenatural, e assim fazendo que os protocolos humanos fossem surpreendidos, na razão de uma expectativa diferente acerca de quem Ele poderia usar.
O Deus do Êxodo continua levantando gente como Moisés, gente que aparentemente não é, a fim de confundir aqueles que pensam que são. Deus continua a queimar sarças que maravilham, gera impacto, visando colocar os corações em chamas por Sua vontade, a fim de que pessoas se tornem parceiras do Seu plano e propósito de libertar pessoas, tirando-os do império das trevas e transportá-los para o Reino do Filho do Seu amor.
Hoje há dois tipos de pessoas lendo esta coluna. Primeiramente aquelas que têm os seus gemidos e angústias existenciais estabelecidos na alma, internamente fragilizados e sem forças para mudar o gráfico da escravidão a hábitos arraigados, sentimentos negativos, inseguranças e dramas pessoais reticentes e continuativos, gente que pensa que esta é a sua sorte e o seu destino. É à você que digo que os seus gemidos e angústias interna snão passam desapercebidos de Deus. Ele quer livrá-lo e trazer-lhe uma nova história, se você o permitir é claro.
O outro tipo de pessoa é aquele parecido com Moisés, que tendo se perdido em algum ponto do propósito de Deus para a sua vida, vê o ardor da sarça através deste texto, ouvindo o Espírito Santo a dizer: Volte ao propósito, volte ao contexto no qual Deus lhe plantou porque ali será a sua missão. O egípcio que você enterrou não pode ser a última notícia de sua vida no Egito, antes, ali se conhecerá que um libertador se levantou e confrontou à Faraó, mudando o destino de uma geração. Assim será com você se você entender e quiser.
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