Todos de alguma maneira querem uma relação com Deus. Ela é bem vinda, aceitável e importante para muitos... desde que Ele não se intrometa em suas vidas. Ele é bem vindo para abrir aquela porta, para fechar aquela outra, para curar aquela enfermidade, para nos dar aquele carro, para nos exaltar sobre os demais, para ser o “oficce-boy” dos nossos sonhos. Uma espécie de “deus” à tira-colo, um “deus” acessório.
Infelizmente, em muitos contextos a pregação desta espécie de evangelho sugere uma relação com Deus superficial e utilitária, não enfatizando ou valorizando a mudança de caráter, a busca de transformação pessoal e sobretudo a conversão. Um evangelho “fast food”, instantâneo, que oferece nas prateleiras os produtos oferecidos no supermercado da fé. Quem sabe ouviríamos neste ambiente a voz de algum orientador a dizer: “Primeiro andar, cura, libertação e prosperidade. No segundo andar você pode encontrar a porta aberta que está procurando. No terceiro andar resolva os seus problemas amorosos com um super produto da fé de última hora.” Talvez lá pelas tantas a voz diria: Ah, sim ... Temos uma sessão pra você que quer se encontrar com Deus, mas visite todos os outros departamentos primeiro.”
Gente que se relaciona assim com Deus se parece muito com os 10 leprosos que foram curados por Jesus. Souberam que Jesus iria lá, souberam que Ele estaria ali, que Ele tinha poder para curar as suas vidas, mas sobretudo queriam apenas a cura. Jesus curou os dez. Todos foram libertos de histórias difíceis de separação familiar, bem como de situações de desprezo e angústia. Depois da cura, apenas um deles voltou para seguir a Jesus e agradecê-lo. Este ouviu de Jesus o decreto de que a sua cura ultrapassaria os portais da eternidade e de que se tornaria o mesmo uma grande testemunha do seu poder e do seu amor.
A relação com Deus que a maioria de nós busca se refere aos processo imediatos que vivemos nesta terra. Nossas demandas materiais, relacionais, profissionais, dentre outras, são para nós mais importantes do que a realidade espiritual e eterna de cada um de nós.
Jesus em sua mensagem enfatizava duas mensagens centrais e complementares : O Reino de Deus e a Vida Eterna. Estas duas mensagens são exatamente as mais esquecidas entre nós que nos dizemos cristãos. A do Reino incomoda porque pressupõe governo, o Seu Governo sobre as nossas vidas e condutas. A da eternidade incomoda porque queremos nos perpetuar aqui, com os nossos prazeres, deleites, conquistas, propondo ao Senhor que Ele nos torne intocáveis enquanto nos esforçamos ao máximo para manter nossas vidas orgânicas neste mundo caído e desprovido da presença de Deus.
O que estou propondo com este texto? Que deixemos de viver ou planejar a vida com a intensidade das conquistas, alegrias e vitórias que ela possa proporcionar? Que não devamos esperar de Deus uma solução nestas áreas de nossas vidas?
Não. Estou propondo que conheçamos o caráter de Deus antes de tentar envolvê-lo nas mazelas do nosso caráter. Estou propondo conversão do coração antes da tentar converter Deus aos processo equivocados que temos. Estou propondo que paremos de envolver Deus em nossos negócios espúrios, ilegais e equivocados, querendo trazer a sua benção ( que não virá) para algo diametralmente oposto aos seus ensinos. Nenhuma campanha, sacrifício, oferta ou coisa desta natureza muda a ética e o caráter de Deus. Do jeito que as coisas andam, quem sabe poderemos ouvir alguma gangue do tráfico dizer: “ Vamos fazer uma oração aqui pro homem lá de cima nos abençoar e guardar enquanto “fazemos” o Zezinho não sei das quantas.
Com voz profética posso dizer: “ Vinde, tornemos ao Senhor...” Oséias 6.1 (Não apenas às coisas que Ele pode fazer).
O compromisso da verdadeira igreja do Senhor é levar as pessoas ao Senhor Jesus e desafiá-las a se tornar Seus discípulos nesta geração. Nós na comunidade Batista Betel estamos nos esforçando por isto na visão em que trabalhamos, por meio das células e do discipulado pessoal. Que o Senhor nos dê graça e sabedoria para cumprir tão sublime missão.
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